25 março 2016

Poema "Encontro", de Angelino da Silva Jardim


Foto: O Clube Nautico (Casino) de Moçâmedes (Namibe), em dia de "calema", num tempo em que a "Praia das Miragens" ainda não possuia as suas arcadas...





ENCONTRO


Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!
Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!
Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!
E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!
E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!
De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!


(Angelino da Silva Jardim)
.............................................................................



Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

24 fevereiro 2016

Concha Pinhão in "Sabor Amargo Amargo Sabor"



Concha Pinhão, a poetisa, junto do marido, o médico Dr Pinhão, Delegado de Saúde, na época



Moçâmedes, a minha terra e suas suas gentes, foram fonte inspiradora de poetas que por ali passaram, ou que ali nasceram, e nos legaram poemas dignos de serem dados a conhecer ao mundo. tocados pelo sentimento e pelas emoções sentidas e vividas pela acutilância da mensagem que procuraram passar .

É o caso de Concha Pinhão que no seu livro "Sabor Amargo Amargo Sabor" nos mostra  toda exuberância de artista numa Angola que a fascinou quer pela sua majestática beleza quer pelas suas gentes com quem partilhou anos mais dourados  de sua vida.

[Confrat.+Zete.jpg]
Concha Pinhão ( a meio da foto, de óculos escuros) participando num almoço de confraternização do pessoal da Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio e Industria de Moçâmedes,  juntamente com o marido, Dr Pinhão, Delegado de Saúde 
Eis alguns dos seus poemas:


AQUELA ANGOLA


Aquela Angola Mulata!...
Aquela Angola Mestiça!...
Beleza que às vezes mata
E se não mata enfeitiça!...
"Sabor Amargo, Amargo Sabor"
de Concha Pinhão
Poesia Angolana


NAMIBE
Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.
E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.
Angola 1968


Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»)




EMBONDEIRO

Irei amar-te,
Embondeiro
Meu tronco seco no teu,
Braços que vão pocurar
Outros que buscam o céu,
que nesse monte cimeiro
onde vives desolado,
Vou cobrir teu peito nu.
Com o meu cabelo enrolado!


Na solidão... eu e tu.


Estendo tuas raízes
A dar seiva a quem passa,
Agente que passa a rir,
Fingindo que são felizes
Num mundo todo a ruir.


Ao menino deserdado,
mais pobrinho,
mais sozinho,
Que brinca lá na lagoa,
Dou teu fruto aveludado
Para fazer uma canoa.


Dou o teu ventre fibroso,
A mendigo desditoso,
Por abigo em noite fria;
E as feras mansas, tremendo,
No medo sem companhia.


Nós vamos rindo embondeiro
Desse teu monte cimeiro,
De quem ri da solidão.
De ti, que não vales nada,
Nem dás tábua para caixão


Como é bom ser esse nada!...
Não dar tábua serrada,
Não ser madeira forrada,
A transportar podridão!...

....

Concha Pinhão foi a vencedora do 1º prémio dos Jogos florais das «x Festas do Mar» 1971, com o poema «Embondeiro»
 Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»)

27 julho 2015

MOÇÂMEDES, SAUDADE



Saudade não é saudosismo!





CANTO l

1.
Saudades da minha terra
do bairro onde nasci,
das ruas por onde andei,
dos parques onde brinquei
dos amigos que perdi

2.
Saudades da Praia das Miragens
e dos bailes do Casino,
da jangada e das arcadas,
dos filmes de cowboiadas,
e do Quiosque do Faustino.

3.
Saudades das esbeltas cuanhamas,
e das exóticas mucubais,
saudades dos caranguejos gigantes,
das gazelas elegantes ,
e dos triunfos do Novais

4.
Saudades do Coreto do jardim,
e dos «Programas da Simpatia», (2)
saudades do Saco do Giraul ,
da Ponta do Pau do Sul,
do Canganiça e do tio Alegria. (3)

5.
Saudades do Sporting e do Atlético,
do Ginásio e do Benfica,
saudades do Talho do Barbosa,
da Drogaria do Rosa ,
e dos bolos da D. Zica. (4)


6.
Saudades dos passeios na Avenida (5)
e dos «assaltos» de Carnaval,
saudades da loja do Pires Correia,
do Hotel do Sr. Gouveia,
e da Escola Portugal.

7.
Saudades do Cucas Abelgas,
do Dominguinhos e do Bacia, (6)
da voz do Mário Cantor,
do Zezinho engaxador,
e da casa da Desvia. (7)

8.
Saudades da árvore gigante, (8)
frente ao prédio do Brian,
saudades das noites de Natal,
dos bailes de Carnaval,
e da Pastelaria do Lã.

9.
Saudades da Maria do Quico,
e da Rosinha dos limões,
saudades da Pensão do Leão,
das marchas de S. João,
e das laranjadas do Pereira Simões

10.
Saudades da Fortaleza de S. Fernando,
e do edifício do Tribunal,
saudades das Festas do Mar,
das Serenatas ao luar, (9)
e dos "cazecutas" no Carnaval.

11.
Saudades das manhãs de cacimbo,
e das noites frias no Impala,
saudades do comboio bebé,
do Cabéças e do Caté Caté,
da bulunga e da massambala.

12.
Saudades da Baía das Pipas,
da Vissonga e do Barambol,
saudades do Faria das baleias, (10)
das viuvinhas e dos papareias,
e do antigo campo de futebol.

13.
Saudades do quino no Atlético,
dos rissóis e dos «molhadinhos», (11)
saudades dos cachorros quentes do Ferrão,
dos empréstimos a juros do Leão, (12)
e da barraca dos cavalinhos .

14.

Saudades da Praia das Conchas,
do Virei e da Macala ,
saudades do Arco Carvalhão,
das fogueiras no S. João,
e dos imbondeiros da Bibala.

15.
Saudades do Chapéu Armado,
da Torre do Tombo e da Aguada,
saudades da praia do Chiloango,
das viagens ao Lubango,
e do Bairro da Facada.

16.
Saudades da Baía dos Tigres,
de Porto Alexandre e do Pinda,
saudades da Leba e do Caraculo,
da tipografia do Trabulo
e da quitanda da Laurinda.

17.
Saudades da Farmácia do Pequito
dos CTT e da Papelaria Regina
saudades do Parque de Campismo
da Oásis e do Turismo
e da Pedra da Delfina

18.
Saudades do basquete feminino,
e do hóquei em patins,
saudades da Bela e da Minelvina,
da Marlene e da Francelina,
dos Chalupas e dos Jardins...

19.
Saudades das Furnas de S. António,
da pedreira e do velho moinho,
saudades do Mucuio e da Lucira,
das lojas do Graça Mira,
do Passa Fome e do Bigodinho. (13)

20.
Saudades da Escola de Pesca
e da Escola Comercial,
do Parque Infantil e do Horto,
dos navios ancorados no porto,
e do Mercado Municipal.

21.

Este o meu meu modo expressar Saudades,

Saudades, Saudades, Saudades,
Saudades e nada mais!


Saudades de um tempo que passou,
que morreu, e não volta mais...

(continua ...)

MariaNJardim 

1. http://memoriasdesportivas.blogspot.pt/2009/05/henrique-ahrens-de-novais-o.html
2.  http://princesa-do-namibe.blogspot.pt/2014/03/cine-teatro-de-mocamedes.html


3. Canganiça era a alcunha do

Tio Alegria era o nome que atribuiam a José Adriano Borges (treinador de hóquei do Atlético de Moçâmedes), num programa do Rádio Clube destinados a crianças4. D Zica , esposa de José Alves , possuia um "quitandeiro" que vendia os bolos que confeccionava

5. Até meados da década de 1950, em Moçâmedes, a Avenida era o "Picadeiro", onde ranchos de rapazes e raparigas passeavam

6. "Bacia" era um mendigo que aos domingos corria, acompanhado de um cão, a cidade de ponta a ponta em busca de esmolas

7. "Desvia", era assim que era conhecida a proprietária da casa de estilo "arte noveau" que pertenceu ao 1º médico de Moçâmedes, contemporâneo da fundação (1849), Dr Lapa e Faro.

8. Árvore gigante que se encontrava no "quintal do Soares Pinto", mais tarde do Banco de Angola, na Rua da Praia do Bonfim, paralela à Avenida.

9. Nos anos 1950 era comum o conjunto musical "Os diabos do ritmo" fazer serenatas às portas das casas das raparigas, por volta da meia noite, aos fins de semana.

10. Faria das Baleias, figura típica, natural de Moçâmedes, homem de forte e bem timbrada voz, que fora um brilhante administrativo, mas que por motivos que desconheço acabou por perder o tino, e levava os seus dias sentado num banco do jardim que funcionava como fosse o seu local de trabalho, o "escritório" . Apesar de indigente, e de ter perdido o tino nunca perdeu a sua educação e cumprimentava sempre, atenciosamente, toda a gente que via e que por ali passava. Abandonado pelos seus, recolhia-se ao fim do dia para pernoitar no interior de um velho moinho em ruínas, onde tinha por companheiros os seus muitos cães.

11. Papo-seco embebido em molho de bife

12. Leão da Encarnação emprestava dinheiro a juros (agiota), naquela época em que os Bancos não o faziam . Passa-fome: dizia-se que era o homem mais rico e mais sovina de Moçâmedes. Comerciante.

13. Bigodinho: comerciante de roupas e não só, na Rua Calheiros
 
 


 


 
A PROPÓSITO DE SAUDADES E DE SAUDOSISMOS

"...Nossa performance na vida é determinada não apenas pelo QI, inteligência intelectual, mas também, e principalmente, pela inteligência emocional. Na verdade, o intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional – ambos são parceiros integrais na vida mental. Quando esses parceiros interagem bem, a inteligência emocional aumenta – e também a capacidade intelectual. Isso derruba o mito de que devemos sobrepor a razão à emoção, mas ao contrário, devemos buscar um equilíbrio entre ambas." Daniel Goleman

25 julho 2015

VIDEO DA CIDADE DO NAMIBE COM FOTOS RECENTES

video

22 maio 2015

Para a História do desporto em Moçâmedes (actual Namibe, Angola): O glorioso Atlético Clube de Moçâmedes e os seus pioneirissimos do hóquei em patins







 
Fotos cedidas por Artur Trindade.



Nestas fotos encontram-se os seguintes hoquistas; José Adriano Borges (Zé Adriano), João Luis Maló de Abreu (Nico), Arménio Jardim,  Rui Figueiredo (Rabiga), Rui Mangericão,  Nono Bauleth, Artur Trindade...


Foi tardio o surgimento da modalidade de hóquei em patins no distrito de Moçâmedes.

Nascida no Condado de Kent em Inglaterra entre 1908/1910, e dinamizada em Portugal com a Fundação da Federação Portuguesa de Patinagem em 1933, Angola já contava com a modalidade desde 1947, nas cidades de Luanda, Lobito, Benguela e Nova Lisboa, e, no período pós guerra, já a selecção portuguesa havia sido nos anos de 1947-1948-1949-1950 tetra-campeã do mundial de hóquei em patins, enquanto que Moçâmedes se deixara se atrasar por razões sobretudo de ordem económica. Os clubes em permanente crise financeira, e sem apoios das instituições oficiais, não possuiam fundos suficientes para avançar mais cedo para a construção de rinks, nem para a aquisição dos respectivos equipamentos cujos preços eram incomportáveis para as suas posses, restando a carolice de alguns adeptos e o esforço e dedicação dos seus atletas, aos quais se ficou a dever surgimento e o imparável desenvolvimento a modalidade, no início da década de 50.

Em Moçâmedes, em 1947, num «boletim desportivo» editado pelo Sport Lisboa e Moçâmedes (posteriormente Sport Moçâmedes e Benfica), comemorativo do seu 11º aniversário, José da Cruz Almeida, ex-cabo do exército e carola do Benfica, denunciava a presumível falta de criatividade dos dirigentes desportivos pondo em causa a inexistência de uma equipa de hóquei em patins. Também a cidade de Sá da Bandeira era englobada nesta crítica. Na verdade Moçâmedes, que desde 1919 avançara em modalidades como o futebol, ténis, ciclismo, remo, vela, etc, e parecia alheada em relação à modalidade do hóquei em patins e tanto mais quanto a selecção portuguesa foi a primeira a ganhar o campeonato europeu e o campeonato do mundo, simultaneamente, mantendo-se por muito tempo como grande potência na roda deste desporto.

O surgimento da modalidade de hóquei em patins de Moçâmedes aconteceu em 1951 através do Atlético Clube de Moçâmedes, e ficou a dever-se, fundamentalmente, a três grandes individualidades personalizadas por José Adriano Borges, Raúl Radich Júnior (despachante oficial) e José Patrício Correia (industrial de pesca). Para além, é claro, da habilidade e do esforço de um grupo de miúdos com cerca de 12/13 anos de idade que andavam a patinar por tudo quanto que eram passeios da baixa da cidade de Moçâmedes, e nos campos do Atlético e do Casino, com vulgares patins winchester (patins de rodas finas, sem botas, ajustados aos sapatos com engates e com uma correia sobre o peito do pé, e sticks feitos com galhos de madeira , paus, etc.), e que tinham por ídolos oa hóquistas portugueses Jesus Correia e Correia dos Santos (primos), da selecção nacional, que na altura ganhara vários campeonatos do mundo seguidos,  cujos relatos difundidos pela emissora nacional seguiam atentamente. Eram o Nico Maló de Abreu (mais tarde guarda-redes de futebol da Académica de Coimbra), Arménio Jardim, Rui Mangericão, Artur Trindade, Leston Martins, Tolentino Ganho, Chiquinho Ganho, Rui Frota, Pierino e mais alguns já esquecidos pela voragem do tempo, tendo por treinador /jogador ele próprio, José Adriano Borges. Deste grupo nasceu aquela que na verdade foi a equipa pioneira de hóquei em patins da cidade de Moçâmedes e do Distrito, a equipa da classe de juniores do Atlético que passou a usar os patins e o equipamento da fugaz equipa pioneira de seniores que haviam sido oferecidos, bem como todo o equipamento por Raúl Radich Jr. (despachante oficial).


José Adriano Borges, o popular Zé Adriano, figura inigualável, amante do desporto -que ele próprio praticou nas modalidades de futebol, ciclismo, atletismo, caça submarina e hóquei em patins - levou o «bichinho» do hóquei, do Lobito para Moçâmedes, quando foi transferido dos Caminhos de Ferro daquela cidade para os Caminhos de Ferro de Moçâmedes. Zé Adriano não perdeu tempo. Habituado que estava às lides desportivas, e envolvido que se encontrava naquela modalidade, de imediato resolveu criar em Moçâmedes uma equipa de hóquei em patins. A escolha recaiu no Atlético, talvez por ser na altura o único clube da cidade a possuir um campo de jogos disponível, ainda que vocacionado para a praticava o basquetebol masculino, ou talvez por inclinação pessoal do Zé. E para incentivar a malta e a população em geral resolve realizar um primeiro jogo de hóquei em patins em Moçâmedes convidando as equipas de hóquei em patins do Lobito Sport Clube (a antiga equipa do Zé) e a equipa da Mocidade Portuguesa de Sá da Bandeira  por ocasião das festas da cidade, em Agosto de 1951. Na altura, o campo de jogos do Atlético não estava vocacionado para o hóquei em patins, mas apenas para o basquetebol masculino, e para que esse primeiro jogo pudesse ser realizado tiveram que ser improvisadas tabelas com blocos de cimento de construção civil, colocados à volta do campo. Este primeiro jogo realizou-se no dia 5 de Agosto de 1951, e o entusiasmo foi tal, que havia gente a assistir até em cima dos telhados e dos postes de electricidade.

Raul Radich Júnior foi  na verdade o mecenas, aquele que não só contribuiu monetariamente com a totalidade do custo do equipamento (balizas, patins, sticks, caneleiras, joelheiras, bolas, camisolas, calções e meias) para que o Atlético tivesse uma secção de hóquei em patins, como deste modo contribuiu para o surgimento da modalidade na cidade de Moçâmedes. Dado o seu prematuro e inesperado falecimento, Raul Radich Júnior não viria, infelizmente, a gozar os frutos da sua dádiva, ou seja, as alegrias proporcionadas pelo hóquei do Atlético Clube de Moçâmedes como veremos mais adiante, com a conquista de nada menos do que 7 campeonatos de Angola, 3 na classe de júniores e 4 na de seniores, os primeiros 3, nos anos 1962, 1963 e 1964, e os restantes 4, nos anos 1965, 1967, 1969 e 1971. Uma verdadeira proeza, com realce para o facto de o campeonato de Angola de 1965 ter sido ganho pela extraordinária «Equipa Maravilha» precisamente no ano da sua estreia na classe de séniores.

José Patrício Correia, industrial de pesca e conserveiro,  que foi  o patrono da edificação da sede daquele clube com o seu apoio material e moral, sobretudo material, graças ao qual a tornou possível, com a colaboração do seu gerente Cantos de Araújo, e do seu guarda-livros, Eduardo Brazão. José Patrício Correia, agraciado com uma condecoração de Mérito Industrial pelo Presidente da República,  Craveiro Lopes, foi, pois, entre os anos trinta e cinquenta o patrono da edificação da sede do Atlético Clube de Moçâmedes com o seu apoio material e moral, sobretudo material, graças ao qual a tornou possível. Assim rezava uma imponente placa em mármore descerrada à entrada da sede deste Clube, e que, por motivos meramente histórico-políticos, em tempo de exaltações, acabou por ser retirada.


E foi assim que novos valores começaram a emergir no hóquei em patins moçamedense.

Mas houve um pouco antes uma primeira experiência, por demasiado breve para ser expressiva, na modalidade de hóquei em patins do Atlético, com a criação de uma equipa (senior), que integrou, para além de  José Adriano, o treinador e organizador, os seguintes elementos: Zico Cristão, Faquica Guerra, Henrique Minas, James, José Manuel Frota e António Minas (Tonico). Foi sol de pouca dura e logo a seguir se esboroou, por falta de competição. E o mesmo será dizer: "Zé Adriano partiu para outra...!"



Estas foram as fotos mais antigas que conseguimos. Ainda que em péssimo estado, são preciosas, porque elas representam o momento do arranque da modalidade do hóquei em patins em Moçâmedes.

Não possuímos em nosso poder nenhuma foto das primitiva equipas, já constituídas e a operar no terreno, quer de hóquei em patins sénior, quer júnior, do Atlético Clube de Moçâmedes, o clube pioneiro da modalidade. Apenas estas de treinos... Os nossos três grandes álbuns dedicados a esta modalidade, em 1975, ficaram em Moçâmedes.

Sobre estes primeiros jogos encontrei as seguintes referências no fio Okário em Sanzalangola (Net), de Zeca Araújo, que na altura fazia parte da equipa de Sá da Bandeira : "...a equipa do Lobito chegou num Dakota e ficou hospedada no Hotel do Patalim ou Hotel Central e a equipa do Liceu Diogo Cão (MP) de Sá da Bandeira (Lubango), cujos jogadores foram transportados nas carroçarias de duas carrinhas e ficaram instalados no edifício do Cabo Submarino que ficava localizado a caminho da Aguada, no lado dt. Festejava-se nessa altura mais um aniversário da cidade, nesses dias de Agosto de 1951. Ganhou o Diogo Cão por 7-3. Foi árbitro, José Adriano Borges. Seguiu-se a 6.8.1951 uma desforra a pedido da equipa derrotada e esta torna a ser vencida pelos huilanos, agora contra a equipa "B" ou "infantis" dos juniores... Recorda José Araújo  -um dos hoquistas que alinhou nesse dia pela Mocidade Portuguesa de Sá da Bandeira-  no forum Okário em Sanzalangola: Os cabeças de peixe deliraram e no dia seguinte meteram mãos à obra... Menos de um ano depois defrontei uns tais Arménio Jardins, Chamengas, Minas, Mangericões, Sampaios... Bom. Resta-me dizer que os "cabeças de peixe" eram rápidos a aprender....rápidos demais para o nosso gosto... 



HINO DO ATLÉTICO CLUBE DE MOÇÂMEDES


Salvé Atlético, salvé Moçâmedes, águias salvé
As suas cores defenderemos
Com alma e fé,
 
E fé.

Vive em nós todos e em nós palpita
O desejo nobre das vitórias
Astro refulgente de luz bendita
Reclamado de prestígio e de glória
De glória

Sua bandeira simboliza a esperança
E a paz bendita
A paz que vive em nossos corações
Graça infinita
Avante, pois oh mocidade
Saudaremos todos o paladino desta cidade,
Mocidade, mocidade.

P'lo futebol, atletismo e natação
Todos os desportos nele se praticam com correcção
Com correcção.

Vive em nós todos e em nós palpita...


 








Texto escrito e dactilografado por MariaNJardim




31 agosto 2014

Baía dos Tigres: Morte no Deserto




 

Foto: Desde 1951,  a Aldeia do Leão passou a ser conhecida pela povoação de S. Martinho dos Tigres ou Vila de S. Martinho dos Tigres. Foto retirada do livro "Baia dos Tigres", de Cecilio Moreira.

Foto: A única estrada dos Tigres servia também de pista de aviação. Foto retirada do livro "Baia dos Tigres", de Cecilio Moreira.



Era assim a Baía dos Tigres às vésperas da Independência de Angola, em 1975. Uma imponente Capela ao estilo de catedral, algumas casas para funcionários, um conjunto de edifícios públicos - Posto Administrativo, Estação Rádio Postal, Alfândega, Escola Primária, Posto Sanitário, Serviços Meteorológicos, Delegação Marítima- a maioria dos quais assentes sobre pilares para deixarem passar as areias, que impulsionadas pelos ventos fortes de sudoeste (a garôa), tudo cobriam à sua passagem.

A povoação desenrolava-se de ambos os lados de uma única estrada, que era também pista de aviação. A Igreja servia de hangar ao próprio avião, para protecção contra as areias, os ventos, e as chaminés das casas de habitação, situadas a oeste da rua-pista de aterragem. Algumas casas um tanto espalhadas acompanhavam as fábricas, que, com seus extensos giraus se localizavam a norte para impedir que os ventos predominantes de SSO arrastassem os fumos sobre a povoação.
 

Desde 1951, aquela que era designada por Aldeia do Leão passou a ser conhecida pela povoação de S. Martinho dos Tigres ou Vila de S. Martinho dos Tigres. A povoação começou a ter algum incremento ao nível de infra-estruturas a partir de meados do século XX, no tempo da governação do Governador Geral Agapito da Silva Carvalho, tendo participado no empreendimento o Engenheiro civil, Agostinho Ruqueso Marques Trindade, chefe da Brigada de Construções de Casas do Estado. Até aí as autoridades não pareciam muito seguras sobre se valia a pena investir na Baía dos Tigres...



 
 

Foto: Nos dias de ventos fortes era impossível a avionete descolar... Em 1961, algum pequeno acidente ocorreu, na descolagem, como as fotos mostram..




Um dos grandes problemas da Baía dos Tigres era a ausência de vias de comunicação, facto que contribuía para o isolamento da população, para além de outras ausências como a de água potável e de vegetação, que constituiam um flagelo a juntar aos ventos fustigantes da garôa, que, como já atrás foi referido, faziam movimentar as areais soltas das dunas que tudo ameaçavam cobrir à sua volta. O cacimbo era outra condicionante.


A única razão de ser da Baía dos Tigres era a actividade piscatória favorecida pela abundância de peixe, relacionada com a constante subida das águas das profundezas (upwelling), frias e muito ricas em plâncton, factor que se sobrepôs ao condicionalismo geral que impõe as maiores dificuldades à presença do homem.

Sem uma estrada que facilitasse o acesso à Baía dos Tigres, de início o recurso era a via marítima, primeiro através de embarcações, caíques e outras barcos à vela, que levavam e traziam pessoas, água e mantimentos, de Moçâmedes e de Porto Alexandre, mais tarde navios costeiros ou de longo curso, como eram o "Save" e o "28 de Maio", que começaram por fazer carreira pelo menos uma vez por mês, acontecendo que, quando alguém chegava à povoação, parecia gente vinda de outro mundo. Mais tarde passaram a frequentar a Baía dos Tigres navios de guerra portugueses que, quando necessário iam ali, propositadamente, levar a água, enquanto o velho batelão, "Tejo" servia de depósito.


Viagens por terra chegaram a ser conseguidas por jeeps,  em baixa mar, aproveitando a areia endurecida e molhada da maré, mas poucos arriscavam-se em tal aventura. 

Este texto colocado na net por um conterrâneo não identificado, mostra bem como era vivida essa aventura: 

"São dunas e mais dunas, um mar de dunas até à baía dos Tigres. Um mar imenso a bombordo que abalroa de frente com a vastidão do deserto a estibordo numa toada que parece de choro sofrido e repetido. Umas vezes avança-se a patinhar na água e outras voando na crista das dunas. Com os pneus meio vazios cavalgamos o tempo numa luta insistente e teimosa contra as vagas de areia solta. Como um veleiro no mar alto a cavar ondas sem parança. Não vemos vivalma. Apenas um garajau tonto e desorientado, perdido da sua costumeira rota. E restos de velhos navios que o mar piedosamente sepultou na praia. A espuma deste oceano, soprada pelas ondas, adormece e morre na areia. Esta terra não foi feita nem para gente nem para bichos. Só o vento consegue viver aqui. E mesmo assim o seu queixume é constante e bastas vezes violento. Há quem diga que a denominação Baía dos Tigres se deve ao ruído enervante de fera molestada que o redemoinhar da areia provoca no cone superior das dunas. O sol sente desejos de beijar o dia. O cacimbo cerrado faz-lhe frente, mas o astro vence-o transbordando para além do horizonte o seu vermelho fogo de paixão. Deita então a cabeça no mar e espreguiça-se por sobre as dunas. Como que a querer reanimar este fim do mundo onde nem o mais triste e solitário dos tigres resistiria. "


Por volta de finais dos anos 1940, a Baía dos Tigres passou a beneficiar dos serviços prestados pela avioneta do "Aero Clube de Moçâmedes",  a 1ª delegação do Aeroclube de Luanda que surgiu em Angola. Esta avioneta tinha sido adquirida por subscrição pública e tinha o nome da cidade. Ao Aero Clube de Moçâmedes,  clube associativo sem fins lucrativos,  ficou a população a dever, de entre outros serviços, um mais fácil contacto entre a população de Moçâmedes e a população das praias vizinhas, sobretudo Porto Alexandre e a Baía dos Tigres, que puderam beneficiar deste meio de transporte, rápido e eficaz, que servia também de correio, de início uma vez por mês, mais tarde duas vezes por semana. A subscrição pública foi até meados do século XX um último recurso com que as populações em Angola iam conseguindo suprir a ausência de apoios do Estado. Aliás, a tradição vinha já dos primeiros momentos da fundação de Moçâmedes, na medida em que a 2ª colónia de luso-brasileiros ida do Brasil, em 1850, foi através de subscrições públicas que conseguiu reunir o montante necessário para as despesas do transporte, e foi problemático a autorização para concessão de verbas, pelo parlamento português, para os colonos fundadores, em 1849.
 
Na década de 1960, as gentes da Baía dos Tigres passaram a ser servidas por monomotores “Bonanza”, da empresa de Táxis Aéreos do Sul de Angola, com sede na cidade capital do Distrito. (1) As carreiras eram efectuadas bissemanalmente, às terças e às sextas-feiras, e assim vinha acontecendo até que no fatidico dia 17 de Junho de 1967, uma sexta-feira, o “Bonanza” que descolara de Moçâmedes pelas nove e meia da manhã, com o piloto e quatro estudantes a bordo, fizera a escala habitual em Porto Alexandre para levar um importante passageiro, o Delegado de Saúde, que ali ia dar consulta, e deveria aterrar nos Tigres uma hora depois,  não aterrou...


 

O piloto Carlos Teixeira que morreu no fatídico desastre



 



As quatro jovens estudantes, na flor da vida, vinham passar as férias escolares junto de seus pais e amigos que ansiosamente as aguardavam. Nos Tigres, a ansiedade e o pânico tomaram conta da estrita população, as horas iam passando, e o “Bonanza” não aparecia.  Receava-se o pior. Quando a noite chegou, consumidas estavam já todas as esperanças de um reencontro. Algo de pior teria acontecido!

Estava-se em plena época de cacimbo, uma vez que de Maio a Setembro as regiões do Sul são assoladas por nevoeiro cerrado. O “tecto” baixo levava a que toda e qualquer perfuração efectuada pelo “Bonanza”, muito junto a terra,  constituísse um perigo. As pistas eram improvisadas, como eram praticamente em todos os vôos locais em Angola. Não havia equipamentos que facilitassem a aproximação a terra em dias de fraca visibilidade, sequer os aviões possuíam a aparelhagem sofisticada dos nossos dias. Tudo dependia do piloto, do seu conhecimento do terreno,  da sua perícia e da sua competência profissional. Restava a esperança de que o avião tivesse voado  na direcção da foz do Cunene,  a 55 km distância, para ali aterrar em segurança, ou então que tivesse aterrado  numa das planuras da zona semi-desértica. A verdade é que o “Bonanza” estava desaparecido. Nada se sabia  dele, nem das seis pessoas que vinham a bordo. 
 
Na manhã seguinte a imprensa e a Rádio deram grande relevo ao acontecimento. O constrangimento e a comoção eram gerais. O sentimento de solidariedade não se fez esperar. Os habitantes dos Tigres eram uma verdadeira família que repartia entre si alegrias e tristezas.  Por toda a parte era notória a vontade de congregar esforços na busca do “Bonança”. O Governo Geral de Angola, o Comando Naval, a Força Aérea, a Organização Provincial de Voluntários e muitos particulares, todos se encontravam vivamente  empenhados nas buscas, através de um sistema organizado e controlado por sistema de comunicação a nivel distrital,  centralizado numa das salas do Rádio Clube de Moçâmedes.  Um avião da Força Aérea devidamente equipado para missões do género, ao qual se juntaram dois aviões do Estado pertencentes aos governos de Moçâmedes e da Huila, e ainda dois particulares, avançaram nas buscas efectuadas no deserto, enquanto traineiras batiam a costa desde a Ponta Albina até à zona dos Riscos, a norte da Grande Restinga. Também várias viaturas partiram tentando vencer os areais do deserto,  algumas das quais tiveram que ser mais tarde socorridas.





Recorte de jornal sobre o desastre sobre a queda da avionete "Bonanza"



Dificultava  as buscas o intenso nevoeiro que teimava em se manter naquele deserto temeroso que ninguém podia  de ânimo leve pensar vencer. Até porque os rodados da ida, aproveitando a baixa-mar, logo se apagavam quando do regresso. Terra maldita onde nada havia, não havia mecânicos, não havia peças sobressalentes, gasolina, sombra, água, alimentos. Terra do nada como diziam os Hotentotes, onde tudo podia acontecer aos incautos, incluso a mordedura de escorpiões venenosos. As iregularidades do terreno, as temperaturas difíceis de suportar, o vento Leste, os ventos fortes que fustigam o rosto, ferem o olhar, e modificam a paisagem, não permitem o caminhar de pessoas e viaturas,  o que tornava a missão impossível até ao guia mais experiente. Eram grandes as diferenças térmicas entre o dia e a noite, durante o dia temperaturas escaldantes, pela noite abaixo de zero...

Foi então que na tardinha do dia seguinte os tripulantes de uma traineira que participavam nas buscas,  entre os quais José Joaquim Firmino do Nascimento (mestre), vislumbraram ao longe um brilho de metal, na Zona de Riscos, na encosta de uma duna de grande altura.  José Firmino com seus companheiros, subiram a pé ao cimo de uma duna em busca de uma maior ângulo de visão, e na duna ao lado puderam ver de entre restos ainda fumegantes do "Bonanza", os corpos carbonizados das vítimas, que foram dali retirados e levados para a praia, para em seguida de serem levados de traineira rumo à  Baía dos Tigres, e dali, num avião da "TASA",  para Moçâmedes. Do "Bonanza" apenas restaram as pontas das asas e da cauda.
 
Dado o alarme, os aviões facilmente localizaram o “Bonanza. Os depósitos de combustível copulados à cabine, e não nas asas,  não permitiram quaisquer possibilidades de salvação. Ali encontraram a morte o piloto Carlos Alberto Teixeira, aos 28 anos de idade, o médico e delegado de saúde de Porto Alexandre, José Marques dos Carvalhos,  aos 31 anos,  e as jovens estudantes Carla Maria Marreiros Martins, Teresa Margarido, Conceição Maria Gonçalves de Carvalho, e Laurinda dos Santos Nascimento, de 14, 16, 12 e 14 anos, respectivamente. Pensa-se que o piloto tentara a perfuração de norte para sul, à entrada  da baía, que tem 11 milhas de largura, e que fez um desvio ligeiro lateral que o levaria a bater na encosta de uma das dunas sobranceiras ao mar, que naquele local tem 180 metros de altura. O piloto Teixeira era muito estimado pela gentes dos Tigres.  Era ele que lhes fazia chegar o médico e o  padre, tão  necessários à manutenção da saúde física e ao conforto espiritual de que careciam. Com ele ia também o medicamento e algum alimento, a complementar o que ali chegava juntamente com a água em navios, destinado aos tigrenses. Era ele que lhes levava os artigos indispensáveis à vida, os jornais a correspondência que lhes permitia estar a par de notícias sobre o que ia acontecendo longe dali, etc. etc.  Eram as encomendas essenciais  a quem vive isolado. As noticias que iam dando forças àquela gente para ali se manter na  luta sem tréguas contra os  elementos  da natureza, pelo pão de cada dia, seduzidos e estimulados unicamente pela fartura piscícola daquele pródigo mar.

O médico José Marques era também muito estimado pelos cuidados de saúde que dispensava à população. O desespero das famílias foi tal que Hilário Margarido, o pai de Teresa Margarido, tresloucado pelo sofrimento, partiu para o Deserto, a pé, munido de um garrafão de água, em busca da sua menina. A filha era a única pessoa de família que tinha por companhia, nas quatro paredes do lar, naquela aldeia onde a solidão era esmagadora. Teresa era a luz de seus olhos, o ser que restava de um casamento menos feliz. Oito angolanos pertencentes ao pessoal da traineira fizeram questão de o acompanhar. Caminharam pelo deserto fora durante 36 horas, na busca do “Bonanza”, até que perdidos e dispersos entre altas e escaldantes dunas, com os pés em sangue, e já sem água nem alimentos, foram localizados pelo avião militar incluido nas buscas, que  lhes lançou uma mensagem comunicando que os tinham localizado em cima da zona de Riscos, na direcção do farol da Ilha dos Tigres, e que iam avisar para que “jeeps” de Porto Alexandre os fosse buscar. Pediram-lhes que se aproximassem mais da praia, da qual se encontravam afastados.  Hilário Margarido já não teve forças para sair do local onde tombou, entre a vida e a morte. Foi recolhido por uma equipa de jornalismo da revista "Noticias" de Luanda, que cobriu a reportagem no deserto, sendo os restantes companheiros recolhidos por outras viaturas, excepto dois deles que caminharam na direcção do farol da  Ponta Albina.

Os funerais realizaram-se em Moçâmedes para o Cemitério da cidade. Os pais do piloto, residentes em Porto Amboim, deslocaram-se a Moçâmedes para o funeral, onde se incorporaram muitos residentes. Foram suspensas as várias competições desportivas que estavam marcadas para a data.



 





Não tenho muito a avançar sobre a Empresa que disponibilizou o malfadado "Bonanza" que acabou no dia 17 de Junho de 1967, de maneira tão trágica. Tenho a ideia que pertencia a Fernando Rodrigues Ferreira,  pessoa de iniciativa e valor, estimada em Moçâmedes, que depois de ter adquirido o brevet,  resolveu trabalhar por conta própria,  juntou-se a um sócio (Martins?), criou a sua empresa que segundo informações se desenvolveu e expandiu para Luanda, introduzindo a aviação particular  regional em Angola, que muito ajudou, pela fluidez das ligações, a aproximação  entre os povos, e o desenvolvimento das regiões de  difÍcil acesso.  Fernando Rodrigues Ferreira era um ex-camionista que fora empregado de Maurício Brazão, proprietário de uma loja em Moçâmedes, junto da Praça de Táxis.


Fica mais este relato, para memória futura.

Texto escrito e dactilografado por MariaNJardim

Créditos de imagem: Fotos de Carlos Morais
                                   Fotos do Livro "Baia dos Tigres", de Cecilio Moreira.

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